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Professora de 81 anos volta a dar aulas e ajuda idosos a retomar os estudos em casa de repouso
Após cinco décadas de carreira, Iolanda Branco encontrou nos colegas de moradia uma nova oportunidade de ensinar e incentivar a aprendizagem.
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 15/10/2026 16:28
RIO GRANDE DO SUL

Uma professora de 81 anos voltou a dar aulas após anos longe das salas de aula e passou a ajudar outros idosos a retomar os estudos em uma casa de repouso em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. A iniciativa de Iolanda Branco oferece aos moradores a oportunidade de aprender e recuperar o contato com os materiais escolares, muitos deles deixados para trás ainda na infância.

Depois de 50 anos de carreira como professora, Iolanda acreditava que não voltaria a lecionar. A ideia de retomar as atividades surgiu quando ela conheceu outros moradores interessados em aprender.

“Quando eu parei de lecionar, achei que nunca mais voltaria, sabe? Cheguei aqui também encontrei um pessoal que estava querendo aprender alguma coisa. Então eu me realizei”, contou a professora.

Para Iolanda, todas as pessoas são capazes de aprender, embora nem sempre tenham tido oportunidades ao longo da vida. Os encontros vão além das atividades escolares e também promovem a troca de experiências entre os participantes.

Aulas resgatam sonhos antigos

Entre os alunos está José Alfredo dos Santos, de 72 anos, que destaca a convivência e o aprendizado proporcionados pelos encontros.

“Nós aprendemos e ensinamos também. É uma troca muito salutar. A gente senta pra conversar e sempre tem assunto, né? Porque todos têm uma vasta experiência de vida”, afirmou.

Já Gilberto Boch, de 62 anos, precisou abandonar os estudos ainda criança para ajudar a família. Ao receber a oportunidade de voltar a estudar, ele se emocionou ao pegar novamente um caderno e um lápis.

“Eu me emocionei na primeira aula, é verdade. Fiquei bem feliz de ver um caderno, pegar um lápis, um papel pra escrever. Pensei: 'Na minha vida, eu nunca mais vou pegar um caderno, né, um lápis, para poder escrever'. E aqui quando surgiu essa oportunidade eu agarrei”, relatou.

Aos 90 anos, Nadir Battassini também participa das aulas. Ela estudou até o quarto ano e passou a gostar dos encontros depois de superar a resistência inicial.

“No começo eu ficava meio assim, né? Mas depois comecei a gostar, comecei a gostar e é muito bom, a professora é muito dedicada, é muito bom, tô gostando muito das aulinhas dela”, disse.

Vocação que atravessa gerações

A trajetória de Iolanda também influenciou as filhas, Taís Aver e Karen Aver, que seguiram a carreira da mãe como professoras.

Para Karen, acompanhar o processo de alfabetização de pessoas que não tiveram acesso à educação na juventude é uma experiência emocionante, mas também evidencia as dificuldades enfrentadas por quem teve os estudos interrompidos.

“É muito lindo ver ela se alfabetizar agora e é muito triste ao mesmo tempo, porque ela não teve a oportunidade quando ela era mais jovem. Qualquer pessoa precisa ter acesso a conhecimento, ele tem que ser universalizado, né?”, afirmou.

A iniciativa mostra que a aprendizagem pode acontecer em qualquer fase da vida e que o acesso à educação continua sendo uma oportunidade de desenvolvimento, convivência e realização pessoal mesmo na terceira idade.

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