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Família denuncia retirada de túmulo sem aviso e diz que ossada entregue não era da mãe no RS
Mulher morreu de Covid-19 em 2021, em Cruz Alta; prefeitura instaurou sindicância e Polícia Civil investiga o caso
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 16/10/2026 12:55
RIO GRANDE DO SUL

Uma família de Cruz Alta, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, afirma que os restos mortais da mãe desapareceram após a abertura de uma gaveta de cemitério sem aviso prévio. Ao receber a ossada retirada do local, os familiares encontraram uma haste metálica e uma dentadura, características que, segundo uma das filhas, não correspondiam às da mulher, que morreu em decorrência da Covid-19 em 2021.

A filha, que preferiu não ser identificada, relatou que soube da retirada por pessoas que não faziam parte da administração do cemitério. Ao receber o material, ela percebeu diferenças e passou a questionar se os restos mortais realmente pertenciam à mãe.

Segundo a familiar, a mulher não havia passado por cirurgias, exceto pelos procedimentos relacionados aos partos das duas filhas, e não utilizava prótese dentária.

Após identificar o que considerou incompatibilidades, a filha voltou à gaveta onde acreditava que a mãe estava sepultada. No entanto, outra pessoa já havia sido colocada no local.

Família tentava transferir os restos mortais

Os familiares afirmam que tentavam transferir os restos mortais para um jazigo próprio havia anos. De acordo com a filha, os pedidos foram negados mais de uma vez, inclusive em abril de 2026. A previsão informada à família era de que a transferência só poderia ocorrer em 2028.

A família agora busca esclarecer a quem pertence a ossada entregue e onde estão os restos mortais da mulher.

Prefeitura abre sindicância

A Prefeitura de Cruz Alta informou que instaurou uma sindicância para apurar as circunstâncias do procedimento e verificar por que a família não teria sido comunicada previamente, caso a situação seja confirmada.

O advogado dos familiares, Fagner Pias, afirmou que pretende buscar a responsabilização civil do município, responsável pela administração do cemitério. A medida também deverá cobrar esclarecimentos sobre a localização dos restos mortais.

Segundo o advogado, o caso pode representar desrespeito à dignidade da falecida e ao processo de luto dos familiares.

Polícia Civil apura o caso

A Polícia Civil informou que, até o momento, não identificou elementos suficientes para caracterizar um crime. A investigação aguarda informações da administração do cemitério para esclarecer o que aconteceu.

O delegado Ives Trindade afirmou que, inicialmente, a hipótese considerada é a de um possível equívoco por parte da administração, mas ressaltou a necessidade de analisar os dados antes de chegar a uma conclusão.

A família espera que as apurações identifiquem a origem da ossada entregue e esclareçam o paradeiro dos restos mortais da mulher.

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