Julgamento havia começado na quinta-feira (17), mas sessão foi suspensa. Uma nova data deverá ser definida pela Justiça para a continuidade do Tribunal do Júri
O Tribunal do Júri que julgava os acusados pelas mortes da estudante de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sarah Silva Domingues, de 28 anos, e do comerciante Valdir dos Santos Pereira, de 53, foi dissolvido em Porto Alegre. O julgamento havia começado na quinta-feira (17).
Com a dissolução da sessão, uma nova data deverá ser marcada pela Justiça para a realização de um novo julgamento.
Sarah e Valdir foram mortos a tiros em 23 de janeiro de 2024, na região da Ilha das Flores, em Porto Alegre. Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o comerciante era o alvo do ataque. Sarah estava no local realizando entrevistas para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Arquitetura quando foi atingida pelos disparos.
De acordo com a Promotoria, Valdir teria sido morto por se opor à atuação do tráfico de drogas na comunidade onde morava. A acusação sustenta que os autores do ataque chegaram ao local em uma motocicleta e efetuaram diversos disparos contra as vítimas.
Moradores relataram à polícia que dois homens chegaram de moto e atiraram contra Sarah e Valdir, que conversavam em frente ao mercado do comerciante. Segundo informações divulgadas na época, pelo menos 15 tiros foram disparados.
Sarah foi atingida no peito e em um dos braços. Ela e Valdir morreram no local. A esposa do comerciante estava nos fundos do estabelecimento no momento do ataque e não foi atingida.
Três réus seriam julgados
Inicialmente, quatro pessoas foram denunciadas pelo MPRS. A acusação apontou homicídios qualificados por motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas e emprego de arma de fogo de uso restrito.
Uma das pessoas denunciadas foi impronunciada pela Justiça e, por isso, não seria submetida ao Tribunal do Júri. A impronúncia ocorre quando a Justiça entende que não existem elementos suficientes para levar o acusado a julgamento popular. A decisão não equivale a uma absolvição e o caso pode ser reavaliado caso surjam novas provas.
As prisões relacionadas à investigação começaram em fevereiro de 2024. Na época, cinco pessoas foram presas temporariamente por suspeita de envolvimento no crime. Conforme a Polícia Civil, entre os investigados estavam um possível mandante, dois supostos executores e outras pessoas que teriam participado do ataque.
Sarah estava na comunidade para realizar pesquisa
Sarah cursava Arquitetura na UFRGS e estava na Ilha das Flores para desenvolver uma atividade relacionada ao TCC. O trabalho buscava compreender a realidade da comunidade e elaborar propostas de melhorias para a região.
A estudante também teve participação no movimento estudantil. Ela foi coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE), diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE) e integrante do Conselho Universitário da UFRGS.
Após a morte, amigos, colegas e entidades estudantis realizaram homenagens à estudante. Sarah nasceu em Campo Limpo Paulista, no interior de São Paulo, onde foi sepultada após o crime.
A nova data para a realização do Tribunal do Júri deverá ser definida pela Justiça.