A médica e pesquisadora gaúcha Thais Russomano morreu no sábado (17), aos 63 anos, em Porto Alegre (RS). Referência internacional em medicina espacial, ela estava internada no Hospital Moinhos de Vento, onde tratava um câncer.
Reconhecida por suas contribuições à pesquisa aeroespacial, Thais teve papel importante no desenvolvimento de estudos sobre os efeitos da ausência de gravidade no organismo humano e ajudou a ampliar a participação brasileira nessa área científica.
No início da década de 1990, quando as pesquisas espaciais no Brasil estavam concentradas principalmente em foguetes e equipamentos, a cientista direcionou seus estudos para os impactos das viagens espaciais sobre o corpo humano.
Como o país ainda não contava com uma estrutura consolidada para esse tipo de pesquisa, ela buscou formação no exterior, passando por centros de estudos aeroespaciais da América do Norte e da Europa.
Natural de Porto Alegre, Thais cresceu e estudou em Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul. Ela se formou em Medicina pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Em 1999, fundou o Centro de Microgravidade da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), considerado o primeiro da América Latina. O espaço foi criado para desenvolver pesquisas relacionadas à medicina espacial e aos efeitos da microgravidade no organismo.
A pesquisadora também realizou mestrado na Nasa e estudou e trabalhou em instituições de pesquisa do Reino Unido. Apesar da carreira internacional, manteve vínculos com o Brasil e com o Rio Grande do Sul.
Além da atuação científica, Thais era conhecida por incentivar o interesse pela ciência entre crianças e adolescentes. Segundo um amigo próximo, ela costumava realizar palestras em escolas durante suas visitas a Porto Alegre, estimulando os estudantes a conhecer a área aeroespacial e incentivando meninas a buscar espaço na ciência, inclusive na carreira de astronauta.
De acordo com pessoas próximas à pesquisadora, a cerimônia de despedida não será aberta ao público.