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Sobrevivente brasileiro do 11 de Setembro relembra impacto do avião na Torre Norte: ‘Vamos embora que vai cair’
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 11/09/2026 18:35
RIO GRANDE DO SUL

O brasileiro Larry Pinto de Faria Jr., que trabalhava no 25º andar da Torre Norte do World Trade Center, em Nova York, estava dentro do prédio quando o primeiro avião atingiu o arranha-céu em 11 de setembro de 2001. Vinte e cinco anos depois dos atentados, ele ainda guarda na memória o momento em que percebeu que algo extremamente grave havia acontecido.

Economista e natural de Porto Alegre, Larry estava trabalhando quando sentiu o forte impacto provocado pela colisão. O prédio, que tinha 110 andares, chegou a balançar com a força da explosão.

Segundo o brasileiro, a reação foi imediata. Ele chegou a dizer ao chefe que os dois deveriam deixar o local porque acreditava que a estrutura poderia desabar.

“Quando bateu o avião, eu disse para o meu chefe: vamos embora que vai cair”, relembrou Larry.

Naquele primeiro momento, porém, ele não sabia que se tratava de um ataque terrorista. Pelo barulho e pela intensidade do impacto, chegou a imaginar que poderia ter ocorrido uma grande explosão.

“Pelo barulho que foi, pelo que balançou, bem que poderia ter sido uma bomba muito forte. Eu não tinha noção, naquele primeiro impacto”, contou.

Saída do prédio

Depois de deixar o local de trabalho, Larry conseguiu chegar ao térreo e começou a se afastar do Distrito Financeiro de Manhattan. Enquanto caminhava em direção ao sul da ilha, presenciou o desabamento da segunda torre atingida pelos aviões.

O momento provocou pânico entre as pessoas que tentavam deixar a região.

Larry contou que só sentiu medo intenso quando viu o enorme edifício desabar próximo de onde estava. Ele começou a correr para tentar se afastar da área atingida pelos destroços e pela fumaça.

“Medo mesmo, pavor, eu só tive em um momento. Quando eu saí caminhando, só olhei para cima e vi aquela torre grande caindo no meio dos escombros”, relatou.

Segundo ele, a estrutura acabou desabando sobre si mesma, mas a nuvem de fumaça alcançou a região onde estava.

Medo de novos ataques

Enquanto milhares de pessoas deixavam Manhattan, começaram a surgir informações sobre outros aviões sequestrados e novos pontos atingidos nos Estados Unidos.

Larry ouviu relatos sobre o ataque ao Pentágono, em Washington, e sobre a queda de um avião na Pensilvânia. Diante das informações ainda desencontradas, ele passou a temer que outros ataques pudessem ocorrer.

“Eu já tinha escutado que tinham derrubado um avião na Pensilvânia. Tinha não sei quantos aviões que não sabiam onde estavam. Então, pensei, os caras estão atacando os Estados Unidos”, lembrou.

Ele também recordou a enorme quantidade de pessoas reunidas nas ruas de Manhattan durante a fuga.

“Tem 10 mil pessoas aqui nessa praça onde estou. Se jogar um avião aqui, mata todo mundo. Era um formigueiro de gente”, afirmou.

Mais de uma hora sem contato com a família

A Torre Norte foi atingida às 8h46 no horário local de Nova York, enquanto a Torre Sul foi atingida às 9h03. Os ataques provocaram o desabamento das duas estruturas e deixaram milhares de mortos.

Larry permaneceu por mais de uma hora sem conseguir avisar à família que havia sobrevivido e estava em segurança.

Ao final daquele dia, depois de deixar Manhattan, ele conseguiu atravessar a Ponte do Brooklyn e chegar à sua casa em Nova Jersey.

Passados 25 anos, o relato do brasileiro permanece como um testemunho pessoal de um dos episódios mais marcantes da história recente dos Estados Unidos.

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