O caminhoneiro Eduardo Ferlin, de 50 anos, morador de Marau, no Norte do Rio Grande do Sul, está há 32 dias retido em um posto de combustíveis na cidade de Uspallata, na Argentina. A passagem pela região dos Andes está bloqueada devido ao grande volume de neve, que chega a seis metros em alguns pontos.
Segundo Eduardo, as autoridades argentinas temem que a movimentação de veículos provoque o deslocamento da neve acumulada nas montanhas e aumente o risco de ocorrências na estrada.
“Tem muita neve presa nas montanhas. E as forças de segurança têm medo que, com o movimento dos caminhões, essa neve venha a se desprender e ocasione acidentes”, relatou.
O motorista transporta uma carga de carne suína de Lajeado, no Rio Grande do Sul, com destino a Santiago, no Chile. Para preservar os produtos, ele precisa manter o sistema de refrigeração da carreta funcionando continuamente, a uma temperatura de -25°C.
Eduardo trabalha em uma cooperativa de Marau e afirma que cerca de 500 caminhoneiros de diferentes países estão na mesma situação. Entre eles estão profissionais do Brasil, Chile, Peru, Bolívia, Uruguai e Paraguai.
Longe da família
O longo período de espera também fez Eduardo perder momentos importantes com a família. Ele não conseguiu participar da formatura da filha, Emília, e também está longe do neto Otto, que completou três meses.
“Eu queria mandar um abraço para a minha filha, Emília, que se formou metade desse mês e eu não pude estar na formatura dela. E um beijão para o meu netinho que fez três meses hoje, o Otto”, contou, emocionado.
Apoio aos caminhoneiros
Durante a espera, os motoristas recebem apoio do Exército argentino e de entidades locais. Segundo Eduardo, são disponibilizados água potável e uma refeição por dia.
Os caminhoneiros também utilizam a estrutura do posto de combustíveis onde estão concentrados. Para tomar banho, pagam cerca de 4 mil pesos argentinos, valor equivalente a aproximadamente R$ 14.
A temperatura na região permanece baixa e chegou a -2°C.
Previsão de liberação da estrada
A expectativa é que as equipes responsáveis tentem liberar o tráfego no sentido da fronteira com o Chile entre terça-feira (18) e quinta-feira (20).
Os caminhoneiros, porém, enfrentam uma corrida contra o tempo. Uma nova nevasca é prevista para o fim de agosto e pode voltar a interromper a passagem pela região por mais de dez dias.
Até que a estrada seja liberada com segurança, Eduardo e os demais motoristas permanecem no local à espera de condições para seguir viagem.