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Brasileiro que lutava na Ucrânia morre em ataque de drone no dia do aniversário, diz família
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 27/08/2026 14:41
RIO GRANDE DO SUL

Um brasileiro de 41 anos, que atuava como soldado na região de Donbas, na Ucrânia, morreu após ser atingido por um ataque de drone, segundo informações da família. Tiago Rodrigues Marques era natural do Rio Grande do Sul, morava em Gravataí e teria sido morto no dia 24 de agosto, justamente na data de seu aniversário.

A família foi comunicada sobre a morte na quarta-feira (26) por combatentes brasileiros que atuavam ao lado de Tiago. Ele deixa a esposa, Marili Rodrigues, de 40 anos, uma filha de 5 anos e duas enteadas, de 10 e 17 anos.

Segundo Marili, Tiago estava na Ucrânia desde março. Ele já havia permanecido no país por cerca de 11 meses entre 2024 e 2025, quando participou dos combates por uma legião internacional. Desta vez, de acordo com a família, ele teria sido recrutado pelo próprio Exército Ucraniano.

A esposa contou que Tiago decidiu retornar ao país motivado pela promessa de um salário que ajudaria no tratamento da filha. Segundo ela, a menina enfrenta dificuldades relacionadas ao tratamento do transtorno do espectro autista.

“Era 4h30 da manhã, horário de Brasília, quando ele me avisou que estava sob ataque, que ia procurar um lugar seguro e qualquer coisa dava notícias. E nunca mais respondeu o celular”, relatou Marili.

De acordo com a esposa, Tiago teria sido informado de que receberia cerca de 50 mil hryvnias, moeda ucraniana, além de bônus por missões. O pagamento, segundo ela, chegou a ser depositado na conta do militar após sua morte, mas a família afirma que não está preocupada com o dinheiro neste momento.

“Estamos preocupados em como fazer para conseguir buscar o corpo”, afirmou Marili.

Corpo ainda não foi recuperado

Segundo relatos repassados à família por colegas de Tiago, o corpo não teria sido recuperado após o ataque. O local onde ele foi atingido ficaria a aproximadamente 9 quilômetros de uma área considerada segura.

Marili afirma que acionou o Itamaraty por meio de um ofício e busca ajuda do governo brasileiro para confirmar oficialmente a morte e auxiliar na recuperação e repatriação do corpo.

O Ministério das Relações Exteriores foi procurado para informar se tinha conhecimento do caso e se havia confirmação oficial da morte de Tiago, mas, até a publicação da reportagem, não havia se manifestado.

Filha enviou vídeo de aniversário

A morte aconteceu no mesmo dia em que Tiago completava 41 anos. A filha de 5 anos chegou a enviar um vídeo de parabéns ao pai, mas não recebeu resposta.

Segundo Marili, a menina perguntou por que o pai não havia assistido ao vídeo. Para evitar que ela soubesse imediatamente da morte, a família pediu a um colega de Tiago que dissesse que ele estava em uma missão mais longa.

“Ela disse para mim: ‘Mãe, o pai não responde se gostou do meu vídeo, o pai não vê meu vídeo’”, contou a esposa.

Retorno à Ucrânia foi escondido da família

De acordo com Marili, Tiago decidiu viajar novamente para a Ucrânia sem avisar os familiares. A família era contra a decisão, principalmente porque a filha estava em uma fase importante do tratamento.

Segundo a esposa, Tiago acreditava que dessa vez teria melhores condições e garantias diferentes das que encontrou durante a primeira passagem pelo país.

“Ele nem nos falou. Saiu para ir trabalhar normal, pegou o voo e foi. No dia, ele foi escondido até da família, porque sabia que não íamos aceitar que ele fosse”, afirmou.

Agora, a família busca apoio para localizar e trazer o corpo de Tiago Rodrigues Marques de volta ao Brasil.

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