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Tia de menina de 4 anos morta após agressões é presa em Porto Alegre
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 27/08/2026 10:58
RIO GRANDE DO SUL

A tia de Samylle Valentina Borba Ramiro, de 4 anos, foi presa preventivamente na manhã desta quinta-feira (27), em Porto Alegre (RS). A criança morreu após sofrer agressões e o caso é investigado pela Polícia Civil como homicídio doloso.

Eduarda Beatriz Costa Ramiro foi localizada e presa por volta das 10h, segundo a Polícia Civil. O companheiro dela, Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, já estava preso preventivamente. Ele confessou ter agredido a menina.

Samylle foi levada pelos tios a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Porto Alegre na madrugada de 17 de agosto. A menina já chegou sem vida à unidade e apresentava manchas roxas pelo corpo. O atestado de óbito apontou politraumatismo como causa da morte.

Segundo a investigação, Eduarda não teria participado diretamente das agressões. No entanto, a polícia afirma que ela teria chegado em casa por volta das 21h ou 21h30 e encontrado a criança com sinais de violência, mas não teria tomado providências para socorrê-la.

“Ela chegou em casa por volta, no máximo entre 21h e 21h30, ou seja, durante pelo menos três horas vendo a menina com as lesões, vendo a menina já no estado crítico, ela não tomou nenhuma providência para salvar a vida dessa menina”, afirmou a delegada Alice Fernandes.

Samylle morava havia cerca de dois meses com os tios, após a tia assumir provisoriamente a responsabilidade pela criança. Segundo a investigação, a menina chamava Nicolas de “pai”.

Histórico da família

A família de Samylle já era acompanhada pela rede de proteção. Em abril de 2025, o Conselho Tutelar retirou a guarda da menina da mãe e a repassou aos avós maternos por meio de um termo de responsabilidade.

Em setembro daquele ano, a Polícia Civil concluiu uma investigação envolvendo a família e encaminhou o caso à Justiça. Em dezembro, um acordo homologado pela Justiça devolveu a guarda da criança à mãe.

Em julho de 2026, a tia procurou o Conselho Tutelar e informou que a mãe enfrentava um problema de saúde. Ela passou a ficar responsável provisoriamente por Samylle.

No dia 9 de agosto, os avós maternos perceberam ferimentos no corpo da menina durante um encontro de Dia dos Pais. Na ocasião, receberam a informação de que as marcas teriam sido provocadas por uma queda.

Quatro dias depois, em 13 de agosto, a tia procurou a Defensoria Pública para buscar orientação sobre a guarda definitiva da criança, mas não retornou para apresentar os documentos necessários.

Tio está preso

Nicolas Gabriel Almeida Staubus foi preso preventivamente em 20 de agosto. Em depoimento, ele afirmou que teria dado “umas palmadas” na menina como forma de correção, após ela ter feito cocô nas calças.

A Polícia Civil considera que essa versão não é compatível com as lesões encontradas no corpo da criança.

A investigação aponta ainda que o homem passava a maior parte do tempo com Samylle, enquanto a tia trabalhava fora.

A prisão de Eduarda ocorre enquanto a Polícia Civil aguarda os laudos periciais para esclarecer as circunstâncias da morte. O inquérito deve ser concluído dentro do prazo legal de 10 dias.

Os procedimentos judiciais relacionados à família tramitam em segredo de Justiça por envolverem crianças.

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