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Mãe de 50 anos volta aos estudos, entra na mesma turma da filha e as duas se formam juntas no RS
Moradora de Estância Velha retomou o sonho de cursar uma faculdade décadas depois e dividiu com a filha os desafios da graduação em Psicologia
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 16/08/2026 11:34
RIO GRANDE DO SUL

Uma mãe e uma filha viveram uma experiência incomum durante a faculdade: além de compartilharem a vida em família, elas também foram colegas de turma. Aos 50 anos, Sandra Gewehr Scholles decidiu retomar um sonho que havia ficado para trás e ingressou no curso de Psicologia, em uma universidade de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

A filha, Daniela Gewehr Scholles, de 25 anos, já havia iniciado o mesmo curso em 2019. A decisão de Sandra de voltar à universidade fez com que as duas passassem a frequentar as mesmas aulas e enfrentassem juntas os desafios da graduação.

Depois de sete anos de estudos, trabalhos, estágio e mudanças provocadas pela pandemia, mãe e filha chegaram juntas ao momento mais esperado: a formatura. As duas receberam o diploma de Psicologia durante a mesma cerimônia, realizada em 25 de julho.

Sonho interrompido foi retomado

Sandra havia iniciado uma graduação em Pedagogia quando tinha aproximadamente 18 anos, mas acabou interrompendo o curso após perceber que aquela formação não correspondia às expectativas profissionais que tinha naquele momento.

Com o passar dos anos, vieram o casamento, os filhos e as responsabilidades familiares. O sonho de voltar a estudar, porém, permaneceu.

A oportunidade surgiu novamente quando Daniela foi aprovada no vestibular de Psicologia. Ao conversar com a mãe sobre a possibilidade de retomar os estudos, Sandra inicialmente acreditou que seria difícil, mas decidiu tentar.

Ela conseguiu retornar à universidade por meio do reingresso, aproveitando disciplinas cursadas anteriormente. Para tornar o projeto possível, contou também com o apoio da família.

Para Daniela, a iniciativa da mãe foi motivo de admiração.

"Fiz o vestibular e sabia que era algo que a mãe queria há mais tempo. Comentei sobre isso e, apesar de no começo ela achar que não iria funcionar, acabou aceitando", lembra a filha.

Daniela também destaca a importância de não abandonar os sonhos por causa da idade.

"Nunca é tarde para realizar sonhos", afirma.

Rotina entre trabalho, família e faculdade

Conciliar a graduação com as demais responsabilidades foi um dos principais desafios para Sandra. Além das aulas, ela precisava administrar o trabalho, o estágio, a família e as tarefas de casa.

Em determinado período, chegou a cursar cinco disciplinas simultaneamente. A quantidade de trabalhos e provas fez com que ela pensasse em desistir.

"Mais ou menos na metade da faculdade, eu fazia cinco cadeiras e foi bem difícil conseguir conciliar trabalhos e provas. Era muita coisa. Tinha épocas que eu pensava: 'Meu Deus, eu não vou dar conta'", conta.

O apoio da família foi importante para que ela continuasse. O marido, os filhos e Daniela ajudaram Sandra a superar os momentos mais difíceis.

Mãe e filha como colegas de turma

A convivência na universidade também aproximou ainda mais as duas. Durante a graduação, elas precisaram aprender a equilibrar a relação de mãe e filha com a de colegas de curso.

Em trabalhos e atividades acadêmicas, por exemplo, muitas vezes precisavam deixar de lado a relação familiar para atuar como parceiras de faculdade.

"Nos aproximamos mais e, por vezes, os papéis de mãe e colega se confundiam, mas fomos aprendendo a lidar com isso", explica Daniela.

Apesar da parceria, as duas tinham métodos de estudo diferentes. Sandra preferia imprimir artigos, fazer anotações e destacar os principais pontos dos textos. Daniela, por outro lado, utilizava mais recursos digitais, como o celular e resumos.

Até a forma de lidar com os prazos era diferente.

"Eu me preocupava muito com a questão dos prazos dos trabalhos para entregar, e essa geração da idade dela deixa tudo para a última hora, para o último minuto", brinca Sandra.

Formatura lado a lado

A trajetória acadêmica das duas também foi marcada pela pandemia de Covid-19. Em 2020, parte das atividades passou para o formato remoto, exigindo adaptações de estudantes e professores.

Mesmo diante das mudanças e das dificuldades, mãe e filha seguiram até o fim.

Em 25 de julho, as duas foram chamadas em sequência para receber o diploma de Psicologia.

Para Sandra, o momento representou a realização de um sonho que havia sido adiado por décadas.

"Foi a realização de um sonho", resume.

Daniela afirma que um dos momentos mais marcantes da cerimônia foi o abraço entre as duas.

"Acredito que foi quando nos abraçamos e realmente caiu a ficha de que tínhamos conseguido", conta.

A história de Sandra e Daniela terminou com duas formaturas, mas também deixou uma mensagem que acompanhou toda a trajetória: os planos podem ser retomados, independentemente da idade.

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