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PT não terá candidato próprio ao governo do RS pela primeira vez desde sua fundação
Partido decidiu apoiar Juliana Brizola (PDT), que terá Edegar Pretto como candidato a vice. Aliança faz parte da estratégia nacional para fortalecer a candidatura de Lula à Presidência.
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 15/08/2026 13:53
RIO GRANDE DO SUL

Pela primeira vez desde sua fundação, em 1980, o Partido dos Trabalhadores (PT) não terá candidato próprio ao governo do Rio Grande do Sul. Nas eleições de 2026, a legenda decidiu apoiar a candidatura de Juliana Brizola, do PDT, que terá Edegar Pretto, do PT, como candidato a vice-governador.

A decisão faz parte de uma estratégia nacional de alianças entre partidos de centro-esquerda para ampliar os palanques estaduais da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O acordo foi construído em Brasília entre as direções nacionais do PT, PDT e PSB. O objetivo é concentrar forças em candidaturas consideradas competitivas nos estados e ampliar a presença de aliados durante a disputa eleitoral.

Decisão provocou reação dentro do PT gaúcho

O PT do Rio Grande do Sul inicialmente defendia uma candidatura própria. Edegar Pretto havia sido escolhido como pré-candidato ao governo estadual e o diretório gaúcho tentou manter a decisão durante as negociações com a direção nacional.

A posição, porém, não prevaleceu. O comando nacional do partido decidiu apoiar Juliana Brizola e indicar Pretto para a vice.

A mudança provocou uma crise interna na legenda e uma intervenção da direção nacional nas decisões do diretório estadual. Segundo análises de cientistas políticos ouvidos pelo g1, a prioridade nacional de fortalecer alianças para a disputa presidencial pesou na decisão.

“Em condições normais, o PT-RS apresentaria candidato próprio. Mas, como é do interesse do presidente Lula a aproximação com o PDT, e um dos estados que o PDT ainda tenha uma certa força é o RS, isso levou a essa aliança”, afirmou o cientista político Rodrigo Stumpf Gonzalez, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Aliança entre PT e PDT

O PDT apoia candidaturas do PT em outros estados e, nas negociações nacionais, buscou reciprocidade em algumas disputas estaduais. No Rio Grande do Sul, a candidatura de Juliana Brizola era considerada uma das prioridades da legenda.

A aliança reúne o PDT e o PT em uma chapa que busca ampliar o eleitorado alcançado pela candidatura, principalmente entre eleitores de centro e centro-esquerda.

Para Gonzalez, a presença do PDT na chapa pode ajudar a construir um palanque mais amplo para Lula no estado.

PT já governou o estado duas vezes

Apesar de não apresentar candidato próprio em 2026, o PT tem uma trajetória histórica no Rio Grande do Sul.

O partido governou o estado em duas oportunidades. Olívio Dutra foi governador entre 1999 e 2002, enquanto Tarso Genro comandou o Palácio Piratini entre 2011 e 2014.

Em Porto Alegre, o PT também venceu quatro eleições consecutivas para a prefeitura e administrou a capital entre 1989 e 2004.

Nas eleições para o governo estadual, entretanto, o partido não conseguiu voltar ao segundo turno desde a saída de Tarso Genro. Em 2018 e 2022, os candidatos petistas ficaram fora da etapa decisiva.

Em 2022, Edegar Pretto terminou a disputa em terceiro lugar e ficou a cerca de 2,4 mil votos de alcançar o segundo turno.

Estratégia mira também a eleição presidencial

Para o cientista político Paulo Ramirez, professor da ESPM, a estratégia de alianças adotada pelo PT nos estados está relacionada à tentativa de fortalecer a candidatura presidencial de Lula.

Segundo ele, o partido passou a considerar, em determinadas regiões, que uma aliança com candidatos competitivos poderia ser mais vantajosa eleitoralmente do que lançar uma candidatura própria ao governo.

No Rio Grande do Sul, a chapa formada por Juliana Brizola e Edegar Pretto aparece entre as principais forças da disputa, de acordo com pesquisas recentes de intenção de voto.

O presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Jr., afirmou que a união amplia o alcance político da candidatura.

Já o presidente estadual do PT, deputado Valdeci Oliveira, destacou que a aliança busca alinhar a campanha estadual com a estratégia nacional da legenda.

A decisão encerra, portanto, uma tradição de mais de quatro décadas do PT gaúcho: desde a fundação do partido, em 1980, esta será a primeira eleição para governador do Rio Grande do Sul em que a legenda não terá uma candidatura própria ao Palácio Piratini.

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