Os impactos financeiros provocados pelo apagão que atingiu Santa Vitória do Palmar, no Sul do Rio Grande do Sul, começaram a ser contabilizados após a retomada do fornecimento de energia elétrica. Segundo a Associação Comercial e Industrial do município, as perdas no comércio podem chegar a R$ 7 milhões.
A interrupção no fornecimento de energia também atingiu o município de Chuí e foi provocada pela passagem de um ciclone na região na quinta-feira (6). O temporal e os ventos fortes danificaram pelo menos 26 torres de transmissão na região da Lagoa Mirim.
O levantamento dos prejuízos está sendo utilizado pelo município para embasar um pedido de decreto de emergência.
Segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial de Santa Vitória do Palmar, Marco Petruzzi, os prejuízos vão além da redução imediata nas vendas.
"Temos de lembrar que vamos ter uma redução de capital de giro. Vamos ter perda de clientes, cancelamento de pedidos, vamos ter um comprometimento de investimentos. Então, a cidade praticamente parou", afirmou.
Comércio registra queda nas vendas
Durante os dias sem energia, comerciantes precisaram fechar as portas ou buscar alternativas para manter as atividades. No centro da cidade, empresários relatam uma forte redução no movimento.
A empresária Vera Gonçalves Meireles contou que precisou manter a loja fechada durante parte do período de apagão.
"Foi um fracasso. Não tinha movimento no centro. A cidade está bem triste mesmo. Sem luz, o pessoal não sai de casa", relatou.
Em um açougue, o proprietário Jonatan Lucero afirmou que as vendas chegaram a cair entre 70% e 80%.
"O pessoal está consumindo o que tem em casa para não perder e está vindo menos comprar no açougue", disse.
Entre os moradores, a preocupação também envolve a conservação dos alimentos que precisam ser mantidos refrigerados. A moradora Vanessa Bastos afirmou que passou a comprar apenas a quantidade necessária para o consumo diário.
"A gente compra a comida certinha por dia. Tenho medo que a luz não volte e não ter como manter as coisas na geladeira", contou.
Agropecuária também registra prejuízos
Os efeitos do apagão também chegaram ao setor agropecuário. Segundo estimativa da Emater, as perdas no município são de aproximadamente R$ 630 mil.
Produtores precisaram utilizar recursos próprios para tentar manter as atividades durante o período sem energia.
"É um custo que não está previsto. Então, quando acontecem coisas assim, atrapalha bastante", relatou o produtor de leite Cristian Rueda.
A atividade pesqueira também foi prejudicada. De acordo com Alexandre Ludwig dos Santos, presidente da Colônia de Pescadores Z-16, muitos trabalhadores dependem de energia elétrica para produzir gelo e conservar o pescado.
Com a interrupção no fornecimento, parte da produção acabou comprometida.
Mesmo após o restabelecimento da energia, moradores e setores produtivos de Santa Vitória do Palmar ainda calculam os prejuízos provocados pelos cinco dias de apagão e pelos impactos da passagem do ciclone na região.