Espaço da Nova Ordem de Lúcifer na Terra fica em área rural de Gravataí; Justiça determinou reabertura do processo administrativo, mas prefeitura exige novos documentos para analisar pedido de alvará.
Dois anos após a interdição do templo da Nova Ordem de Lúcifer na Terra (N.O.L.T.), em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, o local onde foi instalada uma estátua de Lúcifer continua sem autorização para funcionar.
O templo está localizado em um terreno de cinco hectares, em uma área rural a cerca de 15 quilômetros da região urbana do município. O principal símbolo do espaço é uma estátua de Lúcifer com cinco metros de altura, considerando o pedestal, e aproximadamente uma tonelada.
Segundo Mestre Lukas de Bará da Rua, um dos representantes da ordem, o monumento foi produzido em cimento por um ateliê e custou R$ 35 mil, valor pago por integrantes do grupo religioso. A estrutura representa, de acordo com ele, a dualidade entre o ser humano e o esqueleto, além de possuir pés e asas, que simbolizam o espírito da divindade.
Lukas afirma que teve um sonho que serviu de inspiração para a criação da imagem. O projeto também contou com a participação de um engenheiro. Caso seja inaugurada, a intenção é instalar uma iluminação especial no monumento.
"Para nós é algo sagrado. Eu tenho uma história de 21 anos dentro da religião. A gente tem feito um trabalho de conscientização, para demonstrar a força que a nossa religião tem", afirma Mestre Lukas.
A figura de Lúcifer possui diferentes interpretações religiosas. No cristianismo, por exemplo, é tradicionalmente associada ao demônio. Para os integrantes da N.O.L.T., porém, Lúcifer é relacionado ao conceito de "portador da luz".
A maior parte dos integrantes da ordem segue a linha da quimbanda, enquanto outros adeptos se dedicam exclusivamente à demonolatria, sem vínculo com essa tradição religiosa.
Interdição e disputa judicial
A interdição do espaço ocorreu em agosto de 2024, quando a inauguração do templo foi impedida pela falta de licença para funcionamento. Desde então, o grupo religioso e a Prefeitura de Gravataí travam uma disputa nas esferas administrativa e judicial.
Em setembro de 2025, a Justiça determinou que o processo administrativo relacionado ao pedido de alvará fosse reaberto. A decisão ocorreu após representantes da ordem ingressarem com um mandado de segurança, depois que a prefeitura havia encerrado a análise do pedido sob a justificativa de que existiam requerimentos duplicados para o mesmo local.
O mandado de segurança é um instrumento utilizado para proteger um direito diante de possível ato ilegal ou abusivo de uma autoridade pública.
A decisão judicial determinou a retomada da análise administrativa, mas não concedeu automaticamente autorização para o funcionamento do templo.
Após a reabertura do processo, a prefeitura passou a solicitar novos documentos e estudos técnicos para avaliar a possibilidade de concessão do alvará.
Segundo Mestre Lukas, durante uma vistoria realizada pelo município, foi apontada a necessidade de um novo estudo de viabilidade, além de outras documentações.
"Nós já estamos com o engenheiro verificando essa documentação agora e vamos levar adiante", afirma.
Processo segue em andamento
Além da tramitação administrativa, o caso também continua sendo discutido na Justiça. O mandado de segurança apresentado pelos representantes da ordem foi remetido ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul em junho de 2026.
Enquanto não houver autorização para o funcionamento, o templo permanece interditado. Segundo as informações apresentadas no processo, a realização de atividades no espaço pode resultar em multa diária de R$ 50 mil.
A prefeitura afirma que a tramitação do pedido depende da apresentação da análise técnica e dos documentos necessários para que o processo possa continuar.