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'Corredor de tornados': entenda por que o Rio Grande do Sul é uma das regiões mais favoráveis do mundo para o fenômeno
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 07/08/2026 10:22
RIO GRANDE DO SUL

 

O registro de um tornado em Pedro Osório, no Sul do Rio Grande do Sul, na quinta-feira (6), reacendeu o alerta para a ocorrência de fenômenos extremos no estado. Foi a segunda semana consecutiva com a formação de um tornado em território gaúcho, reforçando a posição da região como uma das mais propícias do planeta para esse tipo de evento.

Na semana anterior, municípios do Noroeste do estado também haviam sido atingidos por um tornado. Durante a passagem da frente fria associada à formação de um ciclone extratropical, diversas cidades enfrentaram temporais, ventos intensos, destelhamentos e queda de árvores. Em Porto Alegre, as rajadas chegaram a 120,4 km/h, enquanto um motociclista morreu após ser atingido por uma árvore na RS-124, em Montenegro.

Especialistas explicam que o Rio Grande do Sul faz parte do chamado "corredor de tornados" da América do Sul, considerado a segunda região mais favorável do mundo para a formação desses fenômenos, atrás apenas da região central dos Estados Unidos.

A principal explicação está na geografia e nas condições climáticas da região. O estado é frequentemente atingido pelo encontro entre massas de ar quente e úmido vindas da Amazônia e massas de ar frio que avançam do sul do continente. Esse contraste favorece a formação de tempestades severas e, quando há variações na direção e velocidade dos ventos em diferentes altitudes, a tempestade pode adquirir movimento rotativo, originando um tornado.

Segundo o climatologista Francisco Eliseu Aquino, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a possibilidade de formação de tornados aumenta quando há um forte contraste entre massas de ar e elevada instabilidade atmosférica.

Nesta semana, o principal fator para o desenvolvimento do fenômeno foi a formação de um ciclone extratropical no oceano. A intensa queda da pressão atmosférica favoreceu o surgimento de uma supercélula — uma tempestade de grande porte com corrente de ar em rotação — da qual se formou o funil que atingiu o solo em Pedro Osório.

O que é um tornado?

Os tornados são colunas de ar em rápida rotação que se estendem da base de uma nuvem até o solo. Apesar de geralmente serem menores que outros sistemas meteorológicos, concentram ventos extremamente fortes em uma área reduzida, podendo provocar destruição severa em poucos minutos.

A meteorologia consegue prever quando as condições favorecem tempestades intensas, mas ainda não é possível determinar com precisão onde um tornado irá se formar.

Já as supercélulas são tempestades organizadas que apresentam rotação interna e podem produzir chuva intensa, granizo, ventos fortes e tornados.

O ciclone extratropical, por sua vez, é um sistema de baixa pressão atmosférica muito maior, capaz de gerar condições favoráveis para tempestades severas, mas não deve ser confundido com um tornado.

Entre as principais diferenças estão:

  • Tornados atingem áreas pequenas, enquanto ciclones e tempestades podem abranger centenas de quilômetros.
  • Tornados costumam durar poucos minutos; ciclones podem permanecer ativos por vários dias.
  • Apesar de menores, os tornados concentram ventos muito mais intensos em uma faixa estreita, causando danos localizados, porém devastadores.

Mudanças climáticas podem aumentar o risco

Meteorologistas destacam que o aquecimento global também pode contribuir para o aumento das condições favoráveis às tempestades severas. Um ambiente mais quente fornece maior quantidade de calor e umidade para a atmosfera, ingredientes fundamentais para o desenvolvimento de eventos extremos.

O fenômeno El Niño também exerce influência. Durante sua atuação, as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes, alterando a circulação atmosférica e aumentando a frequência de temporais no Sul do Brasil, o que pode favorecer a formação de tornados.

Histórico no Rio Grande do Sul

Dados do Atlas Digital de Desastres apontam que, desde 1991, o Rio Grande do Sul registrou pelo menos 31 desastres relacionados a tornados. Os eventos afetaram mais de 7,6 mil pessoas e provocaram prejuízos materiais estimados em cerca de R$ 68 milhões.

A repetição de ocorrências nas últimas semanas reforça a necessidade de monitoramento constante das condições meteorológicas e da adoção de medidas preventivas diante da previsão de tempestades severas.

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