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Excesso de chuva provoca perdas na produção de hortaliças no RS e faz preço do tomate subir 187,5%
Umidade excessiva e falta de sol prejudicam lavouras, atrasam plantios e reduzem a oferta de alimentos; tomate longa vida passou de R$ 4 para R$ 11,50 o quilo.
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 25/10/2026 11:42
RIO GRANDE DO SUL

O excesso de chuva e a falta de sol no Rio Grande do Sul já provocam perdas superiores a 30% na produção estadual de hortigranjeiros. Os prejuízos atingem diferentes culturas, atrasam o plantio e reduzem a oferta de verduras e legumes, com reflexos nos preços pagos pelos consumidores.

Com a diminuição da produção local, supermercados precisam buscar mercadorias em outros estados para manter o abastecimento. O aumento dos custos de transporte e a menor disponibilidade de produtos contribuem para a alta dos preços.

Em Santa Maria, na Região Central do estado, os prejuízos chegam a 40% entre os produtores, segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

Na propriedade do agricultor Milton Cauzzo, o excesso de água compromete o desenvolvimento das plantas. Cerca de 15 mil pés de alface que resistiram à umidade começaram a apresentar manchas. Já parte das plantações de pimentão e berinjela não chegou a brotar.

Segundo Cauzzo, o solo permanece encharcado, dificultando o manejo da terra e a aplicação de insumos. O produtor afirma que a falta de períodos de tempo seco prejudica a recuperação das lavouras.

Além das perdas diretas, a umidade favorece o surgimento de doenças e compromete a qualidade dos cultivos. De acordo com o extensionista da Emater Leonardo Brondani, produtores de melancia também enfrentaram dificuldades para realizar o plantio em setembro. Até mesmo o cultivo de morangos em estufas sofre os efeitos do excesso de umidade.

A avaliação da Emater é que os problemas nas lavouras podem reduzir ainda mais o fornecimento de hortaliças e frutas.

Supermercados buscam produtos em outros estados

A redução da oferta afeta o abastecimento dos supermercados gaúchos. Segundo o vice-presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Eduardo Stangherlin, parte dos produtos comercializados no estado vem de outras regiões do país.

Entre os exemplos citados estão melancias provenientes de Goiás, tomates enviados de São Paulo e repolhos de outros estados. Além do custo logístico, a qualidade de alguns produtos também estaria abaixo do padrão habitual, conforme o representante do setor.

Preço do tomate sobe 187,5%

Os efeitos das perdas na produção aparecem nos preços dos hortigranjeiros. Dados das Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa) apontam que o tomate longa vida passou de R$ 4 para R$ 11,50 o quilo, uma alta de 187,5%.

A elevação pesa no orçamento das famílias, que precisam adaptar as compras diante do encarecimento dos alimentos.

Consumidores relatam dificuldades para manter os mesmos hábitos de alimentação. A aposentada Vilma Gonçalves afirma que costuma substituir produtos quando os preços aumentam, mas diz que as alternativas também estão mais limitadas, principalmente no caso das verduras utilizadas em saladas.

Enquanto as chuvas persistirem e a produção não se recuperar, a oferta de hortaliças poderá continuar pressionada, com possíveis reflexos nos preços dos produtos comercializados no Rio Grande do Sul.

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