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‘Fui lá ver minha casa, deu pena’, diz moradora que vive em barraca após cheia do Rio Uruguai no RS
Quase 500 pessoas estão fora de casa na Fronteira Oeste; em Uruguaiana, água invadiu residências e famílias improvisam estruturas para permanecer perto dos imóveis.
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 13/10/2026 10:12
RIO GRANDE DO SUL

A cheia do Rio Uruguai tem afetado centenas de famílias na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Em Uruguaiana, moradores que precisaram deixar suas casas improvisaram barracas nas proximidades dos imóveis atingidos pela água. Ao todo, 484 pessoas estão fora de casa em quatro municípios da região.

A aposentada Eva Maria Farias está morando temporariamente em uma barraca com uma das filhas e cinco netos. A água chegou a quase um metro de profundidade na residência da família.

Mesmo fora de casa, Eva acompanha de perto a situação do imóvel e aguarda a redução do nível da água.

“Hoje mesmo de manhã eu fui lá ver minha casa, me deu pena”, relatou.

A moradora afirma que prefere permanecer na barraca a ir para um abrigo. Segundo ela, a escolha permite manter a privacidade da família e ficar perto da residência.

Moradora montou a própria barraca

Na mesma região, Rosa Maria Minho Viana também improvisou uma estrutura para enfrentar a cheia. Moradora da área desde praticamente o nascimento, ela conta que já convive há anos com as enchentes.

“Eu mesma que montei”, disse Rosa sobre a barraca onde está abrigada durante a inundação.

Ela permanece no local com o filho, que precisa de acompanhamento constante. A filha, o genro e um neto estão em outra barraca, onde a família prepara as refeições.

Família com gêmeas de três meses está em abrigo

Enquanto alguns moradores permanecem perto de suas casas, outras famílias precisaram deixar completamente a região atingida.

É o caso de Rosicler Soares da Silva, que está em um abrigo desde 6 de outubro com o marido e as três filhas. As gêmeas Julia e Maria Antônia têm três meses de idade e nasceram prematuras, com 32 semanas de gestação.

Esta é a segunda vez neste ano que a família precisa sair de casa por causa de uma inundação. No imóvel, a água está a pouco menos de um metro de profundidade.

Apesar da mudança de rotina, Rosicler conta que as bebês conseguem manter o sono durante a noite.

“Elas dormem a noite toda, só acordam o horário que têm que mamar”, relatou.

Quase 500 pessoas estão fora de casa

Segundo os dados divulgados, 484 pessoas permanecem fora de suas residências em quatro municípios da Fronteira Oeste, após as chuvas registradas no início de outubro.

A situação está distribuída da seguinte forma:

  • Uruguaiana: 169 pessoas fora de casa;

  • Alegrete: 207 pessoas;

  • Itaqui: 86 pessoas;

  • São Borja: 22 pessoas.

Em Uruguaiana, o Rio Uruguai está 1,30 metro acima da cota de inundação.

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, o nível do rio deve continuar subindo nas próximas horas em São Borja, Itaqui e Uruguaiana.

A Defesa Civil estadual mantém alerta vermelho para inundações na região até terça-feira (13).

As famílias seguem aguardando a redução do nível da água para avaliar o retorno às residências e os danos provocados pela cheia.

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