Um laudo psiquiátrico judicial concluiu que Gisele Beatriz Dias, de 44 anos, tinha capacidade mental para responder criminalmente pelos fatos relacionados à morte das filhas gêmeas Manuela e Antônia Pereira, em Igrejinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
As meninas tinham 6 anos e morreram em outubro de 2024, com oito dias de diferença. Manuela morreu no dia 7 de outubro, e Antônia, em 15 de outubro. A mãe foi presa após a segunda morte e é acusada pelo Ministério Público de ter asfixiado as duas crianças.
Gisele foi denunciada pelo Ministério Público e se tornou ré por duplo feminicídio. Em julho de 2025, a Justiça decidiu que ela deveria ser submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Posteriormente, a defesa pediu que fosse realizada uma avaliação de sanidade mental. O processo foi suspenso enquanto o exame era realizado.
O laudo, elaborado por uma psiquiatra designada pelo Departamento de Perícias Judiciais do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, foi concluído em setembro e juntado ao processo no início de outubro.
Segundo a perícia, não foram encontrados elementos que demonstrassem que a acusada, na época dos fatos, tivesse algum transtorno mental capaz de eliminar ou reduzir de forma significativa sua capacidade de compreender que suas condutas eram ilícitas.
O documento registra ainda histórico de transtorno depressivo e abuso de medicamentos.
Processo poderá ser retomado
Com a conclusão da perícia, Ministério Público e defesa terão prazo para se manifestar sobre o laudo. A decisão sobre a imputabilidade penal caberá ao juiz responsável pelo processo.
Caso a conclusão seja acolhida pela Justiça, o processo criminal poderá ser retomado e avançar para as etapas de preparação do julgamento pelo Tribunal do Júri de Igrejinha.
A data do júri, porém, ainda não foi definida e depende do cumprimento dos próximos trâmites processuais.
Gisele já havia sido pronunciada pela Justiça em 4 de julho de 2025. A decisão de pronúncia significa que o juiz considerou existentes provas da materialidade dos crimes e indícios suficientes de autoria para que a acusação fosse analisada pelos jurados.
A pronúncia, no entanto, não representa uma condenação.
A defesa recorreu da decisão e o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul determinou a realização do exame de insanidade mental. Em novembro de 2025, a Justiça instaurou o incidente e suspendeu o processo até a conclusão da perícia.
Defesa afirma que acusada nega os crimes
O advogado José Paulo Schneider, responsável pela defesa de Gisele, afirmou que recebeu com tranquilidade o resultado da perícia.
Segundo ele, o laudo não analisou se a acusada praticou ou não os crimes pelos quais responde.
A defesa também afirma que Gisele nega a autoria das mortes desde o início do processo e que pretende demonstrar sua inocência durante o julgamento pelo Tribunal do Júri.
O caso segue em tramitação na Justiça de Igrejinha.