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MP denuncia policial penal por furto de R$ 8,87 milhões em ouro e relógios de familiares no RS
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 06/10/2026 14:36
RIO GRANDE DO SUL

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou um policial penal e outras três pessoas por suspeita de envolvimento no furto de ouro e relógios de luxo pertencentes a familiares do agente, em Porto Alegre. Segundo a Promotoria, os bens estavam avaliados em R$ 8,87 milhões na época dos crimes, ocorridos no segundo semestre de 2024.

O principal denunciado é o policial penal Cassiano Uflacker Lutz de Castro, de 31 anos. Ele responde, segundo o MPRS, por dois crimes de furto qualificado, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Cassiano está preso preventivamente desde 14 de setembro de 2026. Na época da prisão, ele estava cedido ao próprio Ministério Público e atuava junto ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

A defesa informou que o advogado ainda não teve acesso ao processo e, por esse motivo, não iria se manifestar.

Ouro e relógios teriam sido substituídos por peças falsas

De acordo com a denúncia, foram furtados aproximadamente 17,5 quilos de ouro, avaliados em R$ 7,8 milhões, além de seis relógios de luxo, estimados em cerca de R$ 1 milhão.

Segundo o Ministério Público, parte do ouro vinha sendo acumulada por uma das vítimas desde a década de 1950.

A Promotoria afirma que o policial penal teria se aproveitado da relação de confiança com os familiares e do acesso à residência. Ele conheceria o local onde os objetos eram guardados, teria chaves do imóvel, controle do portão eletrônico e conhecimento sobre a rotina dos moradores.

A denúncia aponta ainda que, em 2023, o policial teria ajudado a desenterrar, pesar, transportar e armazenar parte do ouro durante uma mudança de residência de uma das vítimas.

Segundo o MPRS, Cassiano teria substituído moedas de ouro por peças falsas e trocado quatro relógios originais por réplicas. A suspeita é de que a estratégia tenha sido utilizada para dificultar a descoberta dos furtos e manter a aparência de que o patrimônio permanecia intacto.

Como o esquema teria funcionado

Conforme o Ministério Público, os quatro denunciados teriam atuado de maneira coordenada durante aproximadamente dois anos, com divisão de tarefas.

Segundo a acusação, o policial penal seria responsável por fornecer os bens e indicar o destino dos recursos obtidos com as vendas. Os demais integrantes teriam participado da comercialização das peças, movimentação do dinheiro e realização de pagamentos e compras em benefício dos envolvidos.

Dois dos denunciados são um comerciante de 65 anos e um leiloeiro de 42 anos. De acordo com o MPRS, eles teriam recebido, armazenado e comercializado bens de origem ilícita.

Os dois respondem, segundo a denúncia, por receptação qualificada, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

MP aponta lavagem de pelo menos R$ 1,6 milhão

A Promotoria afirma que, após a venda dos objetos, pelo menos R$ 1,6 milhão teria passado por operações destinadas a ocultar a origem dos valores.

De acordo com a acusação, o dinheiro teria sido movimentado por contas de terceiros, utilizado em pagamentos fracionados e empregado na compra de bens e no pagamento de despesas pessoais.

Entre os gastos citados estão veículos, uma moto aquática, equipamentos eletrônicos, viagens, aluguel de imóvel e procedimentos estéticos.

O Ministério Público também pediu à Justiça que seja estabelecido um valor mínimo para a reparação dos prejuízos causados às vítimas.

As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os denunciados terão direito à defesa e ao devido processo legal.

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