Patrícia Coelho Fernandes, de 25 anos, passou por três cirurgias para tratar complicações e afirma que uma das regiões ficou mais funda. Clínica contesta responsabilidade e aponta possível relação com bronzeamento realizado após o procedimento.
A empresária Patrícia Coelho Fernandes, de 25 anos, afirma estar enfrentando mudanças no corpo e medo de realizar novos procedimentos estéticos após desenvolver uma infecção nos glúteos depois de um preenchimento com ácido hialurônico, realizado em 3 de agosto, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Para tratar a infecção, a paciente precisou passar por três cirurgias, nas quais os médicos retiraram parte do tecido comprometido. Segundo Patrícia, uma das regiões ficou mais funda após as intervenções, provocando o que ela classifica como uma deformidade.
“Eu tenho 25 anos e estou com uma deformidade”, afirmou a empresária.
A extensão definitiva das alterações ainda depende da cicatrização e de avaliações médicas. Patrícia também relata que teme enfrentar um novo procedimento para reparar a região.
“Eu nem sei se vou reparar isso que ficou, porque estou realmente horrorizada de passar por alguma intercorrência de novo”, disse.
Sintomas começaram após o procedimento
Segundo Patrícia, os primeiros sintomas surgiram ainda durante a aplicação do produto. Na madrugada seguinte, ela apresentou tremores, suor, fraqueza e desmaios em casa.
O marido a levou ao Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, onde permaneceu internada por alguns dias. Conforme a documentação médica apresentada no processo judicial, os primeiros exames não teriam identificado a necessidade de drenagem, e ela recebeu alta.
Com a piora da dor e do inchaço, a empresária procurou atendimento em uma clínica particular e, posteriormente, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Em 15 de agosto, foi internada no Hospital Moinhos de Vento.
“Eu falei para o meu esposo: ‘Eu estou desmaiando, me leva para o hospital’. Depois, lembro de acordar com ele me sacudindo e pedindo para eu acordar. Eu só pedia para Deus não me levar”, relatou.
Três cirurgias e retirada de tecido
A primeira cirurgia foi realizada em 18 de agosto, com drenagem de secreção e retirada de tecido comprometido pela infecção. Material coletado identificou a presença da bactéria Enterobacter bugandensis.
Patrícia passou por uma segunda cirurgia em 27 de agosto e por uma terceira em 1º de setembro. Os procedimentos envolveram os dois lados da região glútea.
De acordo com a empresária, uma das médicas explicou que precisou remover uma quantidade significativa de tecido para controlar a infecção, embora tenha tentado preservar o máximo possível da região.
“Ela foi bem sincera comigo e disse que teve que tirar bastante tecido. É o lado em que eu já percebo a deformidade, porque ficou fundo para dentro”, afirmou.
O procedimento realizado para remover tecidos mortos ou danificados é chamado de debridamento. A técnica pode ser necessária no tratamento de infecções e lesões para auxiliar no controle do quadro.
Patrícia recebeu alta em 2 de setembro e continua o tratamento em casa.
Empresária diz que considerava o procedimento simples
Antes da complicação, Patrícia já havia realizado outros procedimentos estéticos, inclusive preenchimentos na região glútea com a mesma profissional.
Ela afirma que nunca havia enfrentado intercorrências e que considerava a aplicação de ácido hialurônico uma intervenção de baixo risco.
“Para mim, o preenchimento era como fazer um preenchimento no rosto. Eu pensava que o risco era um lado ficar um pouco maior do que o outro e depois ser corrigido. Jamais imaginei uma infecção, uma internação e três cirurgias”, contou.
Cronologia do caso
-
3 de agosto: Patrícia realiza o preenchimento glúteo com ácido hialurônico em Porto Alegre. Segundo ela, a dor intensa começa durante a aplicação.
-
Madrugada de 4 de agosto: a empresária apresenta tremores, suor, fraqueza e desmaios e é levada pelo marido ao Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre.
-
Primeira semana de agosto: permanece internada por alguns dias e recebe alta após os primeiros exames.
-
Dias seguintes: relata piora da dor e do inchaço e procura atendimento médico novamente.
-
15 de agosto: é internada no Hospital Moinhos de Vento.
-
18 de agosto: passa pela primeira cirurgia, com drenagem e retirada de tecido comprometido. Exames identificam a bactéria Enterobacter bugandensis.
-
27 de agosto: é realizada a segunda cirurgia, com intervenção nos dois lados dos glúteos.
-
1º de setembro: passa pela terceira cirurgia.
-
2 de setembro: recebe alta hospitalar e a ação judicial contra a clínica e a biomédica responsável é distribuída à Justiça.
Clínica contesta responsabilidade
Em nota, a Boto Lips Centro Estético Ltda. afirmou que utilizou ácido hialurônico regular, com documentação de rastreabilidade, lote e validade registrados.
A empresa também declarou que segue protocolos de assepsia, biossegurança e armazenamento de produtos. Segundo a clínica, a profissional responsável, Carolina Machado Ramos, é biomédica habilitada em Estética e atua dentro das atribuições de sua habilitação.
A clínica ainda alegou que Patrícia realizou um bronzeamento a jato em outro estabelecimento menos de 30 minutos após deixar o local, apesar de ter sido orientada a não fazer o procedimento naquele momento.
“A clínica entende que a apuração deve considerar todo o contexto do atendimento, incluindo as condutas adotadas no período pós-procedimento, sem antecipar conclusões quanto à causa da intercorrência ou à atribuição de responsabilidade”, afirmou a empresa.
A clínica ressaltou que o caso está em discussão judicial e que ainda não existe decisão sobre eventual responsabilidade.
Defesa da paciente contesta versão apresentada
A advogada Diandra Duflot de Abreu, que representa Patrícia, contestou a versão apresentada pela clínica sobre o bronzeamento.
Segundo a defesa, o procedimento teria sido recomendado e oferecido pela própria biomédica como forma de amenizar as marcas roxas após a aplicação.
A advogada também afirmou que as médicas responsáveis pelo tratamento hospitalar descartaram a possibilidade de o bronzeamento ter provocado a infecção.
A ação judicial movida pela empresária busca indenizações por danos morais e materiais. Até o momento, conforme as informações apresentadas, não há decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade pelos danos relatados.