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Após 95 dias internado, pai deixa hospital de ambulância para abençoar casamento da filha
Diagnosticado com leucemia mieloide aguda, Remi Domingos Lorandi, de 69 anos, conseguiu participar da cerimônia em Caxias do Sul (RS), acompanhado por uma equipe médica e em uma ambulância de UTI móvel.
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 07/11/2026 12:40
RIO GRANDE DO SUL

 

Uma história de fé, superação e emoção marcou o casamento de Gabrieli Lira Lorandi, de 30 anos, e Cássio Fernando Mello, de 31, realizado no dia 3 de outubro, em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha.

O momento ganhou um significado ainda mais especial porque o pai da noiva, Remi Domingos Lorandi, de 69 anos, estava internado havia 95 dias, em tratamento contra uma leucemia mieloide aguda, diagnosticada em 1º de julho de 2026.

Desde que recebeu o diagnóstico, Remi enfrentou uma série de desafios, incluindo sessões de quimioterapia, infecções e complicações que chegaram a exigir internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Mesmo diante das dificuldades, o pai mantinha um desejo: estar presente no casamento da filha e participar de um dos momentos mais importantes da vida dela.

Segundo Gabrieli, durante a internação, uma das perguntas mais frequentes feitas pelo pai era quantos dias faltavam para a cerimônia. A data havia se transformado em uma motivação para continuar lutando.

Uma alternativa para realizar o sonho

Com a proximidade do casamento e diante das condições clínicas de Remi, a família chegou a considerar uma cerimônia transmitida ao vivo diretamente do hospital.

A ideia era que Gabrieli e o noivo fossem até o quarto, vestidos de noivos, para receber a bênção do pai.

Entretanto, poucos dias antes da celebração, Remi apresentou melhora e recebeu alta da UTI. Foi então que o hematologista responsável pelo tratamento apresentou uma possibilidade: organizar o transporte do paciente até a igreja em uma ambulância de UTI móvel, com acompanhamento médico durante todo o deslocamento.

Ao saber da possibilidade, Remi não teve dúvidas de que queria participar.

Chegada à igreja emocionou os convidados

A operação precisou ser organizada em menos de 24 horas, envolvendo a equipe hospitalar, profissionais de saúde e uma empresa responsável pela ambulância.

Como a participação dependia da evolução do quadro clínico até o último momento, a família decidiu manter a possibilidade em segredo.

A chegada da ambulância à igreja surpreendeu os convidados, muitos dos quais não viam Remi pessoalmente havia meses.

Devido às limitações físicas, ele permaneceu na cama durante a cerimônia. A mãe da noiva, companheira de Remi há 39 anos, foi quem conduziu Gabrieli até o altar.

Ao se aproximar do pai, a noiva encontrou Remi emocionado. Naquele momento, ele fez o sinal da cruz na testa da filha, abençoou o casal e conversou com o genro.

Para Gabrieli, a participação do pai tornou o casamento ainda mais inesquecível.

Retorno ao hospital

Após a cerimônia, Remi foi levado novamente ao hospital pela ambulância, retornando diretamente ao quarto onde estava internado.

Ele continua hospitalizado e enfrenta novos desafios relacionados ao tratamento. Apesar disso, a família comemora avanços em seu estado de saúde: atualmente, ele não precisa mais de oxigênio, não utiliza sondas e voltou a se alimentar sozinho.

O episódio marcou a família e os convidados, mostrando a importância daquele encontro após meses de incertezas e de uma longa batalha pela saúde.

 
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