Investigação começou após denúncia de suposto desvio de R$ 10 milhões em bens de um familiar. Defesa afirma que caso envolve disputa privada sobre patrimônio da família.
O policial penal Cassiano Uflacker Lutz de Castro foi preso preventivamente nesta semana durante uma operação do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Ele é investigado por suspeitas de furto, associação criminosa, receptação e lavagem de dinheiro.
O agente estava cedido ao Ministério Público e atuava no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão responsável por investigações relacionadas a organizações criminosas e crimes como corrupção.
A apuração teve início em julho, após uma denúncia envolvendo o suposto desaparecimento de aproximadamente R$ 10 milhões em bens de um familiar do policial.
Investigação aponta retirada de ouro e movimentação de patrimônio
Segundo o Ministério Público, Cassiano teria retirado da residência da família, na Zona Sul de Porto Alegre, valores em ouro que seriam provenientes de um prêmio de loteria. O material teria sido vendido a pessoas que atuam no comércio de ouro.
Ainda conforme a investigação, os valores supostamente desviados teriam sido recebidos gradualmente por meio de despesas relacionadas a viagens, automóveis de luxo, uma frota de veículos utilizados em aplicativos de transporte e embarcações.
O MP também identificou um padrão de vida que, segundo os investigadores, seria incompatível com os rendimentos do policial penal.
Durante a operação, a Justiça autorizou o sequestro de dois veículos de luxo que estariam registrados em nome de terceiros. Um deles foi avaliado em R$ 400 mil e o outro em R$ 300 mil.
Suspeita de uso da estrutura do Ministério Público
Ao longo da apuração, a Promotoria também identificou um suposto uso de instrumentos de trabalho para acessar informações sensíveis e utilizar contatos profissionais, incluindo policiais e promotores de outros estados.
De acordo com a investigação, essa estrutura teria sido utilizada em benefício do grupo investigado.
A prisão preventiva foi decretada pela 1ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro.