Um homem suspeito de se passar pelo técnico do Grêmio, Luís Castro, para pedir dinheiro via PIX a jogadores do clube foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (2), no Rio de Janeiro. Segundo a investigação, um dos atletas chegou a transferir R$ 22 mil ao golpista.
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito fazia parte de um grupo que utilizava perfis falsos em aplicativos de mensagens para se passar pelo treinador português. Ele é investigado pelos crimes de estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade.
O golpe tinha como alvo jogadores do Grêmio e de outros clubes. Os criminosos abordavam os atletas pelo WhatsApp e solicitavam doações para a compra de cestas básicas destinadas a um suposto projeto social.
A investigação confirmou que o jogador que perdeu R$ 22 mil foi o atacante colombiano José Enamorado. O zagueiro Walter Kannemann também teria recebido mensagens do falso treinador, mas desconfiou da abordagem e procurou a polícia.
O ex-jogador Andrés D'Alessandro também foi procurado pelo suspeito. Como a situação já estava sendo monitorada pelas autoridades, ele não chegou a realizar nenhum pagamento.
Segundo a investigação, o criminoso utilizava uma foto de Luís Castro no WhatsApp e iniciava conversas com os jogadores para conquistar a confiança das vítimas. Em alguns casos, perguntava sobre rotina, família e desempenho nos treinamentos, além de elogiar os atletas.
Depois de estabelecer proximidade, o suspeito pedia que o jogador mantivesse o contato em segredo. Em seguida, apresentava o pedido financeiro, afirmando que seria para a compra de cestas básicas para uma instituição social no Rio de Janeiro.
Em um dos casos, foram solicitadas 300 cestas básicas, ao custo de R$ 75 cada, totalizando R$ 22,5 mil. O jogador realizou uma transferência via PIX após receber uma chave aleatória supostamente pertencente a uma responsável pela instituição.
Após o pagamento, o golpista ainda tentou aplicar um segundo golpe. Ele afirmou que outro atleta, que estaria fora do Brasil, pretendia doar 600 cestas básicas, no valor de R$ 50 mil, e pediu que a vítima adiantasse o dinheiro com a promessa de ressarcimento.
A segunda transferência não foi concluída porque o valor ultrapassava o limite diário de movimentação bancária do jogador.
Operação Falso 9
A investigação é conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
A Operação Falso 9 cumpriu um mandado de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão em Itaperuna, no Rio de Janeiro.
As autoridades também identificaram outros jogadores e personalidades que teriam sido abordados pelo grupo, incluindo pessoas ligadas a clubes de outros estados, a uma equipe de futebol europeu e a um artista de projeção nacional.
O Grêmio informou que não irá se manifestar sobre o caso, por considerar a situação uma questão pessoal envolvendo o atleta.