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Esquema de propina envolve R$ 15 mi para campanhas e caixa dois em troca de contrato no governo de SP, diz ex-banqueiro
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 03/09/2026 17:01
BRASIL

Daniel Vorcaro afirmou que doações oficiais de R$ 5 milhões e R$ 10 milhões em caixa dois visavam manter serviço do cartão Credcesta. Órgãos entenderam que não há provas suficientes nem fatos novos.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em proposta de delação premiada enviada às autoridades, que doações eleitorais no valor de R$ 5 milhões para as campanhas de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro em 2022 tiveram origem em negociações de propina.

Segundo o relato de Vorcaro, os repasses seriam contrapartidas de um acordo indevido com Gilberto Kassab, atual secretário de Governo de São Paulo, para manter a operação do cartão Credcesta no governo paulista. A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), no entanto, rejeitaram a proposta de colaboração.

Origem do acordo e divisão dos valores

De acordo com o depoimento, o negócio teve início em 2022, na gestão de João Doria e Rodrigo Garcia. Diante da perspectiva de vitória de Tarcísio de Freitas na disputa pelo governo estadual, Augusto Lima, sócio de Vorcaro, teria procurado Gilberto Kassab para assegurar a permanência do produto na nova administração. Kassab teria então condicionado a manutenção do serviço a pagamentos.

A proposta de delação detalha que a negociação previa a transferência de 5% do resultado líquido da operação em São Paulo, dividida entre repasses formais e caixa dois:

  • Doações oficiais (R$ 5 milhões): Realizadas por Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero), sendo R$ 2 milhões destinados à campanha de Tarcísio de Freitas e R$ 3 milhões à campanha de reeleição de Jair Bolsonaro.

  • Doações informais / Caixa dois (cerca de R$ 10 milhões): Entregues em espécie por Thiago Botelho a interpostos de Kassab. A indicação era de que o montante seria destinado ao PSD, partido presidido por Kassab.

Vorcaro justificou o uso do cunhado para os repasses oficiais alegando que sua própria proximidade com políticos do PT o impedia de aparecer como doador de adversários. Ele sustentou ainda que Zettel não sabia da origem ilícita dos valores e aceitou fazer as doações por afinidade ideológica.

Rejeição pela Polícia Federal e PGR

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República negaram as três versões do acordo de delação apresentadas pelo ex-banqueiro. Os órgãos argumentaram a falta de ineditismo nas alegações e a ausência de elementos probatórios que corroborassem as afirmações.

Mais recentemente, a PGR reiterou a rejeição do depoimento do ex-banqueiro em manifestação enviada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mantendo o entendimento de que não foram apresentados fatos novos.

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