TUCUNDUVA (RS)
Um empresário do ramo de revenda de veículos (da loja Vitrine Motors) registrou um boletim de ocorrência denunciando ter sido vítima de um suposto golpe na compra de uma caminhonete Ford F-250 em Tucunduva, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul.
Segundo o relato do comerciante, as negociações do automóvel ocorreram pela internet. As conversas foram intermediadas por Maykon Willian Tura e por seu pai, Dilceu Tura, apontado como o proprietário da caminhonete e vereador do município.
O empresário relatou ter saído de sua cidade de origem de madrugada em um trajeto de cerca de 24 horas (somando ida e volta) para buscar o veículo. Ao chegar ao ponto de encontro em Tucunduva, por volta das 8h, constatou que o estado real do carro divergia do que havia sido anunciado em fotos e vídeos.
Divergências nas imagens e vistoria no local
A reportagem teve acesso às fotografias enviadas durante a negociação e às imagens gravadas pelo empresário no local do encontro:
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Fotos do anúncio/site: O veículo Ford F-250 vermelho era apresentado com lataria brilhante e alinhada, sem amassados ou trincas aparentes, com santantônio cromado conservado, para-choque sem avarias e pintura uniforme.

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Constatação no local: Durante a vistoria presencial registrada em vídeo, o comprador apontou diversos danos estruturais e estéticos severos: a tampa da caçamba estava trincada de fora a fora, o para-choque traseiro raspado e enferrujado, e a caçamba torta e desalinhada em relação à cabine. Foi identificada camada espessa de massa plástica descascando nas dobras da lataria, frestas irregulares entre a porta e a cabine, além de sinais de batida frontal com mini-frente entortada para trás, capô desalinhado, ferrugem aparente no cofre do motor e adaptações no sistema de ar-condicionado.

"A caminhonete não tinha nada a ver com o que tinha sido passado de vídeo e foto. Não tinha o que prestasse na caminhonete. Simplesmente entraram num carro, sumiram e deixaram a caminhonete lá na prefeitura", afirmou o empresário nas redes sociais.
Transferências via Pix, áudios e ameaças
Antes da viagem, a loja compradora realizou duas transferências bancárias via Pix — uma de R$ 2.000 no dia 11/08/2026 e outra de R$ 3.000 no dia 14/08/2026 —, totalizando R$ 5.000 referentes ao sinal de reserva do negócio, depositados na conta de Dilceu Tura.
Ao desistirem da compra diante do estado do veículo, os compradores solicitaram o ressarcimento do montante. Em áudios enviados via aplicativo de mensagens e anexados à denúncia, um dos suspeitos se recusa a devolver o valor e intimida a equipe:

"Você não aí, não vou fazer o Pix, não. Eu não vou fazer o Pix. Eu fiquei esperando aí para receber o que da caminhonete? Vocês deram o sinal, não vou fazer. Se achar que tem direito, vão lá no fórum e procura os direito. Não vou fazer Pix nenhum... Não vou fazer Pix."
Em trecho seguinte, o interlocutor completa:
"E outra, meu: vai-te embora. Vai-te embora que se tu ficar aí, eu vou chamar a polícia e vou dizer que tu tá ameaçando meu pai, entendeu? Esse dinheiro tu perdeu. Não vai receber dinheiro de volta."
Diante do impasse, os empresários acionaram a Brigada Militar e compareceram à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Tucunduva, onde registraram ocorrência por ameaça e desacordo comercial.
Posicionamento do Legislativo e das partes
Na manhã desta sexta-feira (21), o Portal Noroeste Conectado entrou em contato com o presidente da Câmara de Vereadores de Tucunduva. Ele declarou que tomou conhecimento do caso por meio de publicações nas redes sociais e confirmou já ter conversado com o vereador citado.
Inquirido sobre a gravidade das acusações e o potencial desgaste para a imagem do Legislativo municipal, o presidente da Câmara afirmou que se compromete a agir de forma imparcial. Ele destacou ainda que pretende acionar o setor jurídico da Casa para avaliar a abertura de procedimento por eventual quebra de decoro parlamentar.
Questionado se o laço de amizade com o vereador envolvido poderia atrapalhar eventuais apurações, o presidente declarou ser amigo do parlamentar, mas negou qualquer interferência e reforçou o compromisso de manter a total imparcialidade na condução dos trabalhos.
A reportagem também conversou diretamente com o comerciante vítima do caso e buscou contato com o vereador Dilceu Tura e seu filho, Maykon Tura. O vereador, no entanto, não atendeu às tentativas de contato e restringiu o acesso às suas redes sociais após a repercussão do caso. O espaço segue aberto para o posicionamento da defesa dos citados.