Santa Catarina possui apenas um abrigo estadual e outros 14 municipais ou conveniados com o governo para acolher mulheres vítimas de violência doméstica e seus filhos.
Segundo a Secretaria de Estado da Assistência Social, Mulher e Família, são 340 vagas disponíveis em todo o estado. Para a Defensoria Pública de Santa Catarina, a quantidade é insuficiente diante da demanda por acolhimento.
De acordo com a defensora pública Anne Theive Auras, muitas mulheres que precisam deixar suas casas para escapar da violência acabam recebendo outras formas de assistência, como auxílio-aluguel, custeio de estadias em hotéis sociais ou passagens rodoviárias para retornar aos municípios onde vivem seus familiares.
A defensora ressalta, porém, que os abrigos oferecem um acompanhamento mais amplo, com equipes multidisciplinares que auxiliam as mulheres na reconstrução de suas vidas.
“Não é apenas um teto onde ela vai ficar por algum tempo. Ela precisa de orientação sobre como matricular os filhos em uma nova escola, se vai conseguir alugar um novo local para morar, se vai conseguir um emprego, um benefício assistencial ou uma qualificação profissional”, explica.
Segundo Anne, muitas mulheres precisam reconstruir a vida do zero após deixarem situações de violência.
Acolhimento para recomeçar
Uma das mulheres acolhidas em um abrigo no Vale do Itajaí é Laura, nome fictício utilizado para preservar sua identidade.
Ela precisou deixar a própria casa para escapar da violência doméstica e, desde o início do ano, recebe acolhimento em uma unidade da região.
Com o apoio recebido, Laura consegue trabalhar enquanto os filhos frequentam a escola. Agora, planeja um futuro longe das agressões e ao lado das crianças.
“Meu futuro eu já estou imaginando: eu correndo com meus filhos na beira da praia, já com a nossa casinha. Eu já formada na área que estou cursando no momento, trabalhando e só felicidade”, contou.
A mulher afirma que não pretende mais aceitar situações de violência moral ou física, nem para si nem para os filhos.
Por segurança, os nomes dos municípios que possuem abrigos não foram divulgados na reportagem original, assim como as identidades das vítimas, para preservar as mulheres acolhidas nessas estruturas.
Foto: Bruna Bonfim/g1