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Homem é derrubado e imobilizado por PMs de folga após suspeita de assalto no RS; defesa aponta homofobia
Homem de 35 anos caminhava com o namorado quando foi abordado em Porto Alegre; bolsa que motivou a ação pertencia à própria vítima, segundo a Brigada Militar
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 31/10/2026 11:09
RIO GRANDE DO SUL

Um homem de 35 anos foi derrubado e imobilizado por dois policiais militares que estavam de folga, na noite de quarta-feira (28), no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre (RS). A abordagem ocorreu após os agentes receberem uma informação de que ele teria roubado uma bolsa.

Segundo a Brigada Militar, a bolsa pertencia ao próprio homem. A defesa, no entanto, afirma que a ação pode ter sido motivada por homofobia.

Imagens de uma câmera de monitoramento registraram o momento em que os policiais, que estavam em motocicletas e vestidos com roupas civis, avançam sobre a calçada e alcançam o homem.

Abordagem ocorreu durante caminhada com o namorado

De acordo com o advogado Mateus Oyarzabal, Nicolas Scherer caminhava com o namorado quando foi abordado pelos motociclistas. Conforme a defesa, o casal demonstrava afeto em público e os agentes teriam questionado a bolsa carregada por Nicolas.

Os dois teriam corrido em direções opostas por acreditar que estavam sendo vítimas de um assalto, já que os motociclistas não estavam identificados como policiais.

A defesa considera que a abordagem pode ter sido motivada por um crime de ódio e homofobia. A hipótese ainda será apurada pelas autoridades.

Em nota, a Brigada Militar informou que os policiais foram alertados por uma pessoa que passava pelo local sobre um possível roubo de bolsa.

Segundo a corporação, os agentes questionaram Nicolas sobre a procedência do objeto e ele correu, sendo alcançado e contido. A bolsa foi identificada como pertencente ao próprio homem após as partes serem encaminhadas à delegacia.

Homem sofreu ferimentos

Nicolas sofreu escoriações, hematomas e uma fratura em um dedo do pé. Segundo a defesa, as lesões atingiram regiões do abdômen, das costelas, das costas e das pernas.

A abordagem provocou a formação de um grupo de pessoas no local e um tumulto que durou cerca de 30 minutos.

O caso foi registrado em boletim de ocorrência e é investigado pela Polícia Civil, que apura as circunstâncias da ação.

O que diz a Brigada Militar

A Brigada Militar informou que os policiais estavam de folga e retornavam da faculdade quando receberam o alerta sobre o suposto roubo.

A corporação afirmou que uma guarnição foi acionada para averiguar os fatos e que as partes foram encaminhadas à 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento.

A instituição também informou que, neste momento, não pretende abrir procedimento administrativo para apurar a conduta dos policiais envolvidos.

A investigação da Polícia Civil deverá esclarecer as circunstâncias da abordagem e a eventual responsabilidade dos envolvidos.

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