Número de empregadores registrados caiu 6,3% entre novembro de 2023 e julho de 2026; no período, a produção industrial recuou 12% e a pobreza atingiu 32,3% da população no primeiro semestre de 2026
Mais de 32 mil empresas deixaram de constar nos registros de empregadores da Argentina desde que Javier Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023. O período foi marcado por medidas de ajuste fiscal, redução do consumo e dificuldades enfrentadas por setores da economia. Os dados também apontam queda na produção industrial e um índice de pobreza de 32,3% no primeiro semestre de 2026.
Segundo os números apresentados, o total de empregadores registrados no sistema de seguro contra acidentes de trabalho passou de 512.357, em novembro de 2023, para 480.067, em julho de 2026. A diferença é de 32.290 registros, uma redução de aproximadamente 6,3%.
A queda chegou ao 18º mês consecutivo em julho de 2026, quando foram registrados 948 empregadores a menos em relação ao mês anterior. No mesmo mês, o país perdeu 3.485 postos de trabalho formais.
Indústria e comércio enfrentam dificuldades
A retração econômica atingiu diferentes setores da economia argentina. A produção industrial recuou 12%, enquanto comércio e indústria apresentaram queda na comparação anual em julho de 2026. A mineração, por outro lado, registrou crescimento no mesmo período.
Entre os fatores apontados para as dificuldades das empresas estão o enfraquecimento do consumo interno, os custos elevados, as restrições ao crédito e a concorrência de produtos importados.
Dados do Centro de Economia Política Argentina (CEPA) indicam que as importações de bens de consumo cresceram 34,7% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2023.
Pobreza atingiu 32,3% da população
No campo social, a pobreza atingiu 32,3% da população argentina no primeiro semestre de 2026, de acordo com os dados oficiais citados. O indicador integra o cenário econômico enfrentado pelo país durante o governo Milei.
Modelo argentino é citado como referência para o Brasil
Os indicadores econômicos argentinos contrastam com a avaliação de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que classificou o governo de Javier Milei como um “ótimo exemplo” para o Brasil.
A declaração ocorre em meio ao debate sobre os rumos da política econômica brasileira e à discussão sobre a possibilidade de adotar medidas semelhantes às implementadas pelo governo argentino.
Os dados sobre empresas, emprego, atividade industrial e pobreza oferecem elementos para avaliar os resultados da política econômica da Argentina. A análise do modelo, no entanto, também depende de outros indicadores, do contexto econômico e dos efeitos das medidas no médio e longo prazo.