Guilherme Roldão, do 11º BPM, afirmou que precisa usar o sanitário com frequência por causa de um medicamento; comando da Brigada Militar diz que determinação para uso de sedes da corporação visa à segurança das guarnições e ofereceu apoio ao PM.
Um policial militar do 11º Batalhão de Polícia Militar (11º BPM) de Porto Alegre relatou nas redes sociais que defecou na própria farda durante o serviço após não conseguir chegar a tempo a um banheiro. Guilherme Roldão explicou que está em tratamento com um medicamento que desregulou seu intestino, o que aumentou a frequência de idas ao sanitário desde domingo (27).
Segundo o relato, o episódio ocorreu após a entrada em vigor de uma nova orientação no 11º BPM, na última segunda-feira (28). A determinação estabeleceu que os afastamentos das guarnições para necessidades fisiológicas devem ocorrer exclusivamente nas sedes da própria Brigada Militar.
Roldão contou que, na manhã de terça-feira (29), sentiu a necessidade e não teve tempo hábil para se deslocar até o batalhão.
"Não deu pra segurar", declarou o policial no vídeo.
O agente informou que deixou o serviço antes do horário previsto para tomar banho e trocar de farda. Ele também criticou a exigência de informar a parada pelo rádio de comunicação:
"Estou expondo totalmente as minhas questões fisiológicas, as minhas questões particulares, para poder fazer valer o meu direito de ser humano [...] Toda vez que eu peço para ir ao banheiro é via rádio, então todo batalhão sabe que eu tô indo no banheiro."
Antes da nova medida, o PM afirmou ter permanecido cerca de 30 minutos no banheiro de um posto de combustível, permanência que teria sido questionada por um oficial sob a justificativa de abertura de um procedimento disciplinar.
O que diz a Brigada Militar
Em nota, o comando do 11º BPM afirmou que a medida se trata de uma orientação e que tem como objetivo conciliar a segurança do efetivo com a dignidade dos policiais militares.
De acordo com a corporação, a decisão busca reduzir a exposição das guarnições durante as pausas de patrulhamento, além de garantir o uso de instalações sanitárias adequadas em termos de higiene e privacidade.
A Brigada Militar declarou ainda que a orientação pode ter recebido uma interpretação diferente da prevista no documento original e informou que está acompanhando o policial para oferecer o apoio necessário, respeitando sua privacidade.