A Justiça Militar condenou quatro policiais militares pelo crime de tortura contra o torcedor Rai Duarte, que ficou em coma após ser abordado pela Brigada Militar (BM) depois de uma partida de futebol, em Porto Alegre.
O caso aconteceu em 1º de maio de 2022, após o jogo entre Brasil de Pelotas e São José, válido pela Série C do Campeonato Brasileiro, no Estádio Passo D'Areia.
Segundo a decisão judicial, Rai foi retirado de um ônibus da torcida após uma confusão registrada depois da partida. A sentença aponta que o torcedor não teria participado da briga, mas mesmo assim foi retirado do veículo.
Ainda conforme a decisão, Rai foi levado para um banheiro, onde teria sido agredido pelos policiais.
Foram condenados os soldados Leandro Duarte Lemes, João Carlos Krauze e Kelli Lisiane Abreu Marques, além do tenente Dilnei Leon, que comandava a equipe no dia da ocorrência. As penas variam entre três e oito anos de reclusão.
Rai Duarte ficou em coma após as agressões, permaneceu 116 dias internado e passou por 14 cirurgias.
Na época, ainda durante a internação, o torcedor relatou à RBS TV que teria sido levado para uma sala e agredido por vários policiais.
Defesa afirma que vai recorrer
Os quatro policiais não foram presos após a condenação e poderão recorrer da decisão em liberdade.
Os advogados Fábio César Silveira, que representa Dilnei Leon e João Carlos Krauze, e Ana Carolina Stein, que defende Leandro Duarte Lemes, afirmaram que as condenações não refletem o conjunto de provas apresentado no processo e informaram que irão recorrer.
Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação da defesa de Kelli Lisiane Abreu Marques.