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Ex-padrasto mantinha contato frequente com adolescente de 14 anos mesmo após separação da mãe, diz polícia
Por Moisés Moura (MTB 01022885/SP)
Publicado em 21/08/2026 09:57
BRASIL

Alice Nitz, de 14 anos, continuou mantendo contato com o ex-padrasto mesmo depois que ele e a mãe da adolescente terminaram o relacionamento, segundo a Polícia Civil. A jovem morreu na última segunda-feira (17), em Encantado, na Região dos Vales do Rio Grande do Sul.

O investigado, Wagno Arezi Henika, confessou o crime e foi preso preventivamente. Segundo a polícia, a adolescente estava na casa dele quando ocorreu o episódio. A investigação trata o caso como feminicídio.

De acordo com a delegada Dieli Caumo, responsável pela investigação, Wagno e a mãe de Alice ficaram juntos por cerca de 13 anos, desde quando a adolescente ainda era bebê. A separação havia ocorrido aproximadamente um mês antes do crime.

Mesmo após o fim do relacionamento, os dois mantiveram uma relação considerada amigável. Wagno também continuou tendo contato com as filhas da ex-companheira.

Adolescente costumava visitar a casa do ex-padrasto

A polícia informou que Alice e o ex-padrasto moravam no mesmo bairro, a poucas quadras de distância. Por isso, segundo a investigação, não era incomum que a adolescente fosse até a residência dele.

Em depoimento, Wagno afirmou que houve um desentendimento entre ele e Alice antes do crime. As circunstâncias e a motivação do episódio ainda estão sendo investigadas.

Segundo a delegada, não foram encontrados elementos que indiquem que a adolescente tenha sido alvo de uma ação com o objetivo de atingir a mãe.

Polícia afasta hipótese de crime para atingir a mãe

A Polícia Civil também descartou, até o momento, a hipótese de que a adolescente tenha sido envolvida no caso como forma de provocar sofrimento à mãe.

Após ouvir familiares, testemunhas e o próprio investigado, os policiais concluíram que não havia registros de conflitos entre Wagno e a ex-companheira que apontassem para esse tipo de motivação.

A investigação, portanto, segue considerando o caso como feminicídio.

Quem era Alice

Alice tinha 14 anos e era conhecida por participar de atividades artísticas e esportivas. A adolescente dançava, declamava poesias e jogava futsal.

O que diz a defesa

O advogado Márcio Arcari, que representa Wagno Arezi Henika, afirmou que o cliente confessou o crime e está colaborando com as investigações.

Segundo a defesa, Wagno já prestou depoimento à Polícia Civil e deve responder ao processo com garantia dos direitos previstos em lei, incluindo ampla defesa e contraditório.

A investigação continua para esclarecer as circunstâncias e a motivação do caso.

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